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SOU UMA LINHA NA REDE SOCIAL!









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Confesso que ultimamente ando meio lenta para acompanhar certos debates.
O vocabulário que parece se referir a área botânica ou ecológica seve para falar de ações junto aos seres, relativa às políticas, estás palavras estão me soando como novas, com outros sentidos. Que tento acompanhar para completar o desenvolvimento entre discurso e o meu entendimento.

Quando penso em orgânico, penso em algo que tenha a ver com imprescindível, funcionalidade da vida, onde a seiva corre como um rio umedecendo suas laterais e trocando nutrientes favorecendo ao bom funcionamento do corpo natureza.

Ouço orgânico como sistema público, daí surge o inorgânico, o povo , o comum que para mim é um ser altamente orgânico, fazedor de movimentos que se torna ser invisível para o sistema físico que o rotula nestas falas. Falta de palavras?

Pode a palavra ser até meio física por contar com os muros do entendimento ou das ações de contenções dos mesmos, mas, tem a sua própria sonoridade, significado e forma, que só não é percebido quando holofotizada pelo globalismo do destaque em rotulo intrigante para uma pessoa comum.

Fico de fato me sentindo fora do contexto nestas enchentes de múltiplas funções excêntricas das palavras que tanto amo, porém, registro. Preciso estar inserida, só entrando no pote do novo/velho e que podemos nos melar do seu contexto, daí se não aprovamos a nova textura do vocabulário, ao menos precisamos entendê-la e aproveitar o valor da mensagem, decodificando os sentidos, ficando pasma com a auto ignorância e com o quanto há possibilidades de olhar e ouvir de forma diferente, utilizando o nosso organismo como o maior cúmplice neste convívio com a dialética.

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PRAIA DO PINTO - LEBLON

Talvez a inspiração de um grande escritor de novelas voltadas para o bairro da zona sul, não tivesse que buscar em imagens descaracterizadas de uma favela, o cenário para cenas tão imbricadas da boa vontade da classe média em proteger a membros de sua família morador da favela.

Basta ir a uma favela e lá terá o cenário mais real que a inspiração, poderá aproveitar cenas de vida, histórias de luta, de conquistas e de muita compreensão com o contexto a onde se mora e/ou trabalha.

Não sei qual seria o destino de vários jovens que morreram na Cidade de Deus nos anos 70 em prol de uma política de remoção descentralizada do ser humano e voltada para o poder ditatorial, se não ficassem tão sózinhos, entregues a própria sorte e manutenção.

As mães e os pais destes jovens abandonavam os seus filhos para trabalharem nas casas dos poderosos, servia para limpar os seus caminhos, passar a sua vergonha e pintar de amor o alimento que teria ao final o caminho certo dos atos do seu comedor.

Esta geração foi abandonada por conta da sobrevivência mínima, no fim do mundo  em relação ao seu local de origem.

Favelado por si só não é personagem interessante para divulgação na mídia.

Se criassem uma novela voltada para a favela teria audiência? Ou bandeirinhas enfeitando o cenário como se fosse festa de São João em zona rural?

De quem cobrar uma história modificada pelo abandono do poder público e familiar imposto pela necessidade do trabalho?

O ECA ainda não imperava o direito dos meninos e meninas do nosso país?

O Leblon de hoje e o Leblon dos anos 60, queimando em chamas em uma faxina da pobreza, um quilombo sendo descartado por conta do valor imobiliário o que tem em comum?

Aos 10 anos li uma redação de minha autoria no Estádio da Lagoa Rodrigues de Freitas era concurso das Escolas Públicas do Rio de Janeiro onde agradeci aos professores, a direção por nós acolher com tanto amor e solidariedade dentro do seu espaço nas enchentes.

Aos 10 anos fui ser babá, por conta da transferência da favela, o meu irmão que era Boleiro (pegador de bolas de Tênis) se locomovia de Jacarepaguá para o Leblon a onde trabalhava, evadindo da Escola.

Somos trabalhadores, porém fomos prejudicados pela distância do nosso lugar de origem, com pais trabalhando na Zona Sul, tendo que assumir a guarda e proteção de irmãos mais novos, deixando ser criança. Mas estamos vivos, porém a chama ainda nos incendeia, é a ferida aberta em um passado onde vários amigos viraram carmim no chão da favela.

Não lamento a minha vida,  sei que tudo o que consegui construir foi a custa do meu desejo de ver uma sociedade mais igualitária e responsável com o patrimônio maior da vida que é o nosso semelhante.

Daí pergunto, se tivesse morrido nas chamas do poder, no Incêndio da Praia do Pinto, seria notícia, seria um personagem interessante para um grande autor? Acredito que não.

Ainda não nasceu um autor que crie os seus personagens pensando na maioria que assistem as suas criações, onde o telespectador (comunitário) possa se reconhecer, e para que? Pra quem é feita a programação?  Os autores buscam uma linguagem romântica a onde o pobre será empregado doméstico ou até de um profissional liberal lembrara a figura de um submetido. A quem buscam agradar neste processo de construção do personagem? A realidade aprendida com poder?

E as cenas continuam sendo premiadas, invadindo as casas, o luxo imperando, a beleza sendo padronizada, sendo referencia, e um personagem ficando de fora, o favelado, aquele que não é dependente químico, que não é marginal, que não é empregado doméstico. E o estudante, o trabalhador, o pai de família, ou seja o sujeito normal, representativo da maioria populacional de nosso país, este personagem não interessa?

Continuam estimulando uma visão distorcida da realidade do nosso país, favorecendo o desejo do inatingível com uma linguagem empobrecida, porém vestida com etiqueta de marca.

Esta era a minha casa, a minha favela!


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Eu me misturo aos grupos, tenho interesses variados e todas as vezes que passo a fazer parte de um novo grupo sinto-o completar aos que já faço parte.
Os assuntos apesar de específicos tendem a se encontrar em algum momento, talvez seja por conta do homem na realidade ser o veículo das descobertas do sentido do desenvolvimento e do prazer.
O próprio formato do mundo, da terra, do sol, me leva acreditar que um ponto é a saída para retornar ao início; a descoberta de fazer parte da criação.
Hoje circulo com os meus olhos o contexto, as cenas por vezes me desagrada, me dão nojo, medo e tristeza.Vejo pessoas de todas as idades, principalmente os jovens a perambular pelas ruas e sinto profundamente por não termos uma justiça social voltada para o núcleo familiar que faça com que todo o ser fragilizado seja amparado. Sei que é difícil, não julgo, porém vejo e ainda não consegui fazer com que os meus olhos desfoquem ou desprezem o quadro da miséria nas calçadas, qual nada fico é indignada com o desleixo e desprezo do poder público com a doença social que invade o nosso Estado.
Neste momento sou parte deste grupo, interfiro com a mete e peço a Deus, a espiritualidade que interceda sempre, procuro enviar o amor mesmo que seja na forma do meu olhar.
Não me basta participar, olhar, sentir, preciso ainda registrar este desconforto, divulgar esta mazela diária que parece adormecida junto com o nosso "bucho satisfeito", eu preciso divulgar como se fosse um grito para despertar ao menos um novo olhar, novo movimento, um novo grupo, um jeito especial de não se omitir do processo perverso da vida.